24/05/11 . Internet

REFLEXÕES SOBRE A COMPRA DA SKYPE PELA MICROSOFT

Há algum tempo que quero comentar sobre a aquisição do Skype pela Microsoft. Refleti nos últimos dias sobre as intenções e objetivos por trás do investimento – nada leve, diga-se de passagem: US$ 8,5 bilhões.

O valor, como já comentei há algum tempo, pode refletir a chegada de uma nova bolha tecnológica. Lembremos que o Google pagou, em 2006, US$1,65 bilhões pelo YouTube. Estamos tratando de um negócio cinco vezes maior.

O posicionamento da Microsoft se distancia daqueles contemplados pela Apple, Google ou mesmo Facebook. O negócio da empresa fundada por Bill Gates é desenvolvimento de softwares rentáveis. A inovação não é foco principal.

A tardia parceria Nokia + Windows Phone ou o adiamento do lançamento do SO para tablets evidencia o fato. E ainda evidencia o posicionamento e o mercado que a Microsoft deseja atingir: não são inovadores nem early adopters. A Microsoft quer atingir a maioria, a grande massa, o mainstream dos usuários.

O Skype não é uma novidade. Sistemas de voz por IP já é correntemente usado; só o serviço recém adquirido pela Microsoft conta com mais de 600 milhões de usuários ativos. Ou seja, oferecendo esse serviço, o grande público é atingido.

Certo. O Skype já uma cash cow. Mas por que esse e não qualquer outro serviço?

A Microsoft poderia investir em imagens, vídeos ou até mesmo hardware. Agora imagine 600 milhões de usuários. São 600 milhões de nomes, IPs, localidades, horas de uso, hábitos, conectividades, mensagens de mood (aquelas que aparecem ao lado do nick name), URL de sites pessoais, além das necessidades básicas para registro: endereço, número de telefone, celular etc.

Ou seja, além de posicionar a empresa como desenvolvedora de softwares cash cow, com o Skype a Microsoft aprende sobre o consumidor por meio dele mesmo – a melhor fonte, sem dúvida. Será então que o Skype foi um investimento apenas para aprender sobre o consumidor?

A ferramenta de VoIP pode, também, servir para definir novas diretrizes sobre dados e movimentações da massa de consumidores. Uma empresa que visa a maioria pode ter dificuldades de satisfazer o indivíduo – o foco se desvirtua da satisfação e mira a captação de clientes. Mas novos passos, baseados na expertise adquirida via Skype, podem ser definidos visando a satisfação do consumidor: entender o consumidor e suas atividades via 600 milhões de pessoas pode ser saída de mestre para atingir mais eficientemente a satisfação do consumidor por parte da Microsoft.


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