Satisfação do Consumidor

Como vimos no artigo anterior, compreender como a internet funciona é fundamental para entender o comportamento dos novos consumidores. Mas, infelizmente, isso ainda não é a prática corrente no mercado. São poucas as empresas, mesmo nos dias de hoje, que efetivamente sabem utilizar a rede para conquistar clientes e expandir seus negócios. A maioria delas ainda acredita – de forma equivocada – que basta construir um website e aguardar os clientes aparecerem.

A história dos websites corporativos teve sua origem na adaptação dos catálogos impressos das companhias para o formato digital, tão logo a web comercial começou a surgir no Brasil em meados da década de 1990. À época, isso fazia todo o sentido, já que a internet era nova e permitia à empresa uma inovadora maneira de expor-se ao mercado.

A criação da internet para fins comerciais já completou quase 20 anos e mudou totalmente a forma como pessoas e empresas se comunicam e se relacionam umas com as outras. E, paradoxalmente, ainda há companhias de vários setores e portes que mantêm este formato totalmente superado de atrair consumidores. Pior do que isso: muitas delas ainda não compreenderam que isso é o que explica o baixo sucesso de suas iniciativas digitais.

Por que não funciona? A resposta é simples: não funciona porque os consumidores visitam este tipo de website uma única vez e não voltam mais. E não voltam porque não há razão para isso, não existe nada de interessante que os leve a revisitar o site.

Mas, para isso, para criar conteúdo atraente, é imprescindível entender que o website sozinho é incapaz de milagres. Ele deve fazer parte de toda a estratégia digital. Ele é, sim, importante, mas não se pode pensar que é único. O planejamento digital de qualquer empresa precisa incorporar, forçosamente, as redes sociais, os blogs, os mecanismos de busca, a comunicação direta por email. É nesses canais que o consumidor está buscando informação, interagindo com outros indivíduos, procurando referências, falando das marcas, de forma negativa ou positiva.

Nesse modelo, é imprescindível criar conteúdo interessante para todos os canais, e não apenas para o website. Assim, os efeitos dessa nova estratégia são rapidamente notados: a marca passa a contar com um grande número de fãs no Facebook, seguidores no Twitter, assinantes no Linkedin, além de compartilhar links de outros sites e blogs. Tudo isso, com certeza, vai aumentar a exposição da marca e gerar, diretamente, a ampliação de visitantes e potenciais clientes ao site corporativo.

Parece incrível, mas a melhor maneira de aumentar o tráfego de potenciais clientes para o website corporativo é, exatamente, não ‘apostar todas as fichas’ apenas nele. Ele é onde desembocam aqueles que encontram nos outros canais digitais o conteúdo de seu interesse. O papel do website corporativo é então entender individualmente os visitantes e promover o relacionamento contínuo com eles para gerar novos negócios. A internet, como se vê, evoluiu muito nos últimos anos. Mais do que nunca, as estratégias de marketing digital precisam acompanhar essas mudanças para darem resultado.

Publicado por: Ricardo Pomeranz

04/07/11 . Inovação

GOOGLE PLUS

O Google anunciou o lançamento do Google Plus, sua nova rede social.

A grande discussão do momento é se o Plus vai acabar com o Facebook, a grande rede da atualidade. A organização das pessoas em forma de Roda, os chats em vídeo em grupo, o botão +1, os Sparks, enfim todas as inovações do Plus têm potencial de sobra para colocá-lo na nova ponta do estado da arte das plataformas colaborativas.  

Porém…potencial é condição necessária mas não suficiente. Alguns críticos já possuem os argumentos na direção contrária. Os Sparks não funcionam na prática, o sistema já passa por problemas de sobrecarga, e só funciona para celulares com sistema Android. Mais ainda,  o Google já passou por fracassos semelhantes na área com o Buzz e o Wave.

Como acontece com várias inovações que usam a tecnologia como suporte, quem vai conseguir dizer com exatidão se o Plus vai de fato se tornar uma expressiva rede social não são os marqueteiros, publicitários, engenheiros ou especialistas. São os milhões de internautas existentes. Se eles gostarem, o sistema emplaca. Caso contrário, não existe tecnologia que consiga tirar a inovação de seu potencial de sucesso.

p.s: a única certeza disso tudo é que o Google acaba de mostrar claramente que o Orkut não faz mais parte da sua estratégia!

16/06/11 . Internet

WE ALL WANT TO BE YOUNG

Sobre as tendências de comportamento e consumo das diferentes gerações…http://www.vimeo.com/16641689

Falar que a Rússia entra na briga tecnológica de buscadores de Internet para concorrer com os EUA pode soar como enredo de filme B sobre a Guerra Fria. Mas é o que ocorreu há algumas semanas.

O sistema de busca Yandex, desenvolvido na terra do Bolshoi, fez sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) no índice Nasdaq – aquele que reúne papéis de empresas de tecnologia – e chegou com a promessa, nada modesta, de que é melhor do que o Google.

Mas qualquer paralelo com a Guerra Fria se esgota quando olhamos para a história do buscador, muito semelhante a do Facebook e de outras plataformas tecnológicas ou de redes sociais criadas pelos norte-americanos: tudo começou com dois jovens interessados em tecnologia que se conheceram na escola, ótimos alunos em matemática e física e por aí vai.

No dia da sua estreia na bolsa, o Yandex conseguiu captar US$ 1,3 bilhão.

Entretanto, parece que a grande questão que eles deverão responder é como alcançar a sua proposta de expansão fora da Rússia.

Aliás, o Google só parece ver sua hegemonia ameaçada em casos particulares.

Na China, que assim como a Russia possui um histórico de controle à mídia, o governo acompanha de perto a Internet e restringe pesquisas na web. Lá, o Google não é tão popular quanto o buscador local, o Baidu.

Porém, ao redor do mundo o Google ainda é supremo. Só para citar o Brasil como exemplo, o Google responde por 90,49% das buscas realizadas. Aqui, o único impacto sofrido pelo buscador foi o cresimento do Bing, buscador da Microsoft que é integrado ao navegador Explorer e que começou a ser usado pelas pessoas que adquiriram seu primeiro equipamento nos últimos tempos.

Talvez até o impacto tenha sido sentido pelo Google, mas nada ainda garante que o Bing oferece diferenciais em relação ao concorrente a ser batido.

No mais, fica a pergunta: é possível oferecer um serviço gratuito que possa proporcionar maior satisfação aos usuários do que o Google oferece atualmente?

O desafio é enorme já que para conseguir encarar de frente o Google será necessário dispor dos mesmos ou de melhores serviços já oferecidos por ele e assim ir mudando o hábito de milhões de pessoas que, inclusive, já utilizam o verbo “guglar” há algum tempo.

Há algum tempo que quero comentar sobre a aquisição do Skype pela Microsoft. Refleti nos últimos dias sobre as intenções e objetivos por trás do investimento – nada leve, diga-se de passagem: US$ 8,5 bilhões.

O valor, como já comentei há algum tempo, pode refletir a chegada de uma nova bolha tecnológica. Lembremos que o Google pagou, em 2006, US$1,65 bilhões pelo YouTube. Estamos tratando de um negócio cinco vezes maior.

O posicionamento da Microsoft se distancia daqueles contemplados pela Apple, Google ou mesmo Facebook. O negócio da empresa fundada por Bill Gates é desenvolvimento de softwares rentáveis. A inovação não é foco principal.

A tardia parceria Nokia + Windows Phone ou o adiamento do lançamento do SO para tablets evidencia o fato. E ainda evidencia o posicionamento e o mercado que a Microsoft deseja atingir: não são inovadores nem early adopters. A Microsoft quer atingir a maioria, a grande massa, o mainstream dos usuários.

O Skype não é uma novidade. Sistemas de voz por IP já é correntemente usado; só o serviço recém adquirido pela Microsoft conta com mais de 600 milhões de usuários ativos. Ou seja, oferecendo esse serviço, o grande público é atingido.

Certo. O Skype já uma cash cow. Mas por que esse e não qualquer outro serviço?

A Microsoft poderia investir em imagens, vídeos ou até mesmo hardware. Agora imagine 600 milhões de usuários. São 600 milhões de nomes, IPs, localidades, horas de uso, hábitos, conectividades, mensagens de mood (aquelas que aparecem ao lado do nick name), URL de sites pessoais, além das necessidades básicas para registro: endereço, número de telefone, celular etc.

Ou seja, além de posicionar a empresa como desenvolvedora de softwares cash cow, com o Skype a Microsoft aprende sobre o consumidor por meio dele mesmo – a melhor fonte, sem dúvida. Será então que o Skype foi um investimento apenas para aprender sobre o consumidor?

A ferramenta de VoIP pode, também, servir para definir novas diretrizes sobre dados e movimentações da massa de consumidores. Uma empresa que visa a maioria pode ter dificuldades de satisfazer o indivíduo – o foco se desvirtua da satisfação e mira a captação de clientes. Mas novos passos, baseados na expertise adquirida via Skype, podem ser definidos visando a satisfação do consumidor: entender o consumidor e suas atividades via 600 milhões de pessoas pode ser saída de mestre para atingir mais eficientemente a satisfação do consumidor por parte da Microsoft.